O Carnaval Como Processo Criativo
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) inaugura no sábado, 19 de setembro, a exposição “Carnaval como método”, dedicada a investigar os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba. A mostra ocupa o Salão Monumental e o mezanino do museu e fica em cartaz até 21 de fevereiro de 2027, com entrada gratuita.
A proposta central é reconhecer os carnavalescos como artistas visuais e dar visibilidade a uma produção que, apesar de sua importância para a cultura brasileira, ainda ocupa pouco espaço dentro de museus. A curadoria é assinada por Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende.
Seis Carnavalescos, Seis Obras Inéditas
O museu comissionou trabalhos inéditos de seis carnavalescos em atividade:
- André Rodrigues (em parceria com Juliana Joannou): quatro fantasias brancas que passam por transformações progressivas a partir da interação do público, revelando etapas da construção de uma indumentária de carnaval.
- Annik Salmon: estrutura de grande escala sobre a participação feminina na construção dos desfiles, que pode ser observada à distância ou explorada por dentro.
- Antônio Gonzaga: obra monumental que incorpora motivos afro-brasileiros ligados à espacialidade do evento.
- Thayssa Menezes: pesquisa voltada à herança intelectual negra e à memória estética afro-carioca.
- Gabriel Haddad e Leonardo Bora: quatro trabalhos que analisam o legado de mestres do carnaval, decodificando os sistemas visuais que estruturaram a história do espetáculo carioca.
Acervo Histórico: Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães e Maria Augusta Rodrigues
Além das obras novas, a exposição reserva um espaço para três nomes centrais da história do carnaval carioca:
- Joãosinho Trinta: reconstituição do enredo “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, apresentado pela Beija-Flor em 1989, com desenhos, estudos e fotografias de bastidor inéditas.
- Rosa Magalhães: croquis vindos do acervo das Bibliotecas da UERJ, cobrindo cinco desfiles de diferentes períodos estéticos de sua carreira.
- Maria Augusta Rodrigues: instalação em formato de mesa circular que destaca sua pesquisa teórica sobre cor e narrativas produzidas durante períodos autoritários da história do Brasil.
A mostra ainda traz obras de artistas historicamente ligados às escolas de samba, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento, representando uma produção plástica que sempre esteve à margem dos circuitos hegemônicos de galerias e museus.
Abertura Integrada à Semana de Arte do Rio
A inauguração da mostra também está integrada à Semana de Arte do Rio 2026, que acontece entre 16 e 27 de setembro e reúne mais de dez festivais de diferentes linguagens artísticas pela cidade, com o MAM Rio como uma das instituições participantes. No dia 19 de setembro, o museu promove uma edição especial do programa “Super Sábados”, em diálogo direto com a abertura de “Carnaval como método”: a programação celebra manifestações de rua, subúrbio, folia e samba, com apresentações, shows e oficinas ligadas à cultura carnavalesca.
Informações Para Visitar
- Local: Av. Infante Dom Henrique, 85, Flamengo, Rio de Janeiro
- Período: 19 de setembro de 2026 a 21 de fevereiro de 2027
- Horário: quarta a domingo e feriados, das 10h às 18h
- Horário de acessibilidade para pessoas com deficiência intelectual: domingos, das 10h às 11h
- Entrada: gratuita
Por Que Vale Acompanhar
O carnaval carioca é, há décadas, um dos maiores espetáculos visuais do mundo, mas o trabalho de criação por trás dos desfiles raramente recebe o mesmo tratamento institucional dado a outras formas de arte contemporânea. Ao reunir em um mesmo espaço nomes consagrados como Joãosinho Trinta e Rosa Magalhães com uma nova geração de carnavalescos, o MAM Rio propõe uma leitura pouco comum: a de que o barracão de carnaval é também um ateliê, e o desfile, uma obra que merece ser estudada com a mesma seriedade dedicada a uma exposição de pintura ou escultura. Com entrada gratuita e mais de cinco meses de duração, “Carnaval como método” chega como uma oportunidade rara de ver de perto o processo que, todos os anos, movimenta uma das expressões culturais mais reconhecidas do Brasil no mundo.